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Sobre a precificação de aulas de idiomas


O profissional de ensino de idiomas, ao contrário do que alguns possam pensar, tem um dia-a-dia bastante atarefado (como qualquer profissional de educação). Não é simplesmente entrar em sala de aula, seja esta presencial ou virtual. Fora dela, é preciso planejar e preparar as aulas, corrigir atividades, redações e tarefas em geral, preparar e corrigir provas, entre outras tarefas. Porém, o profissional que trabalha de forma autônoma tem uma preocupação que profissionais que trabalham para escolas não possuem, e que gera muitas dúvidas e, algumas vezes, situações não tão agradáveis: a precificação de seu trabalho.

Saber o que levar em consideração na hora de decidir qual será o valor do serviço que este profissional oferece, não é tarefa simples. Deve-se entender o que é necessário para fazer o cálculo das habilidades e conhecimentos que o profissional possui versus o valor a ser aplicado, não só para que prejuízos financeiros sejam evitados, como também para ajudar seus futuros estudantes/clientes a entenderem os motivos pelo qual determinado valor é cobrado.



Muitas vezes, na hora de pensar quanto será cobrado pelo trabalho, leva-se muito em consideração o quanto os futuros estudantes/clientes podem pagar. Esta, com certeza, é uma preocupação válida. Contudo, não pode ser a única. Mesmo porque, é difícil saber qual será o tipo de estudante/cliente que entrará em contato e qual o valor que este dará ao trabalho oferecido.

As pessoas valorizam os serviços de um profissional de maneiras diferentes. Seus históricos, expectativas com relação ao serviço, conhecimentos sobre o mesmo etc, influenciam o quanto alguém atribui valor ao trabalho em questão. Por exemplo, uma pessoa que não entende como o trabalho de um profissional de ensino de idiomas funciona e acredita que este somente entra em sala de aula, sem nenhuma preparação prévia de conteúdo ou estudo, provavelmente atribui um valor diferente comparado à uma pessoa que tem este conhecimento. Isto faz parte do dia-a-dia das pessoas e está relacionado a todo tipo de serviço, não somente ao ensino de idiomas. Pode-se fazer uma projeção deste valor levando em consideração a comunidade em que o profissional vive e qual conhecimento provavelmente as pessoas têm sobre a profissão, ou a faixa etária com a qual se irá trabalhar etc. Mas ter uma certeza absoluta, é muito difícil. Quando esta é a única preocupação, corre-se o risco de desvalorizar demais o trabalho do profissional e cada tarefa que ele realiza.

Não se pode ter medo de colocar o valor real e justo para o trabalho oferecido. Além disso, deve-se ficar atento para possíveis alterações de preço, caso algo mais seja agregado aos conhecimentos e habilidades anteriores. Sendo assim, o que efetivamente é preciso levar em consideração no momento de precificar o trabalho?

A primeira coisa que entra nesse cálculo é o conhecimento sobre o idioma e como ele foi adquirido. A forma como foi aprendido e os custos envolvidos irão influenciar na conta. No mínimo, um profissional de idiomas fez aulas particulares, um curso em uma escola de idiomas ou passou um tempo em outro país. Cada uma destas situações gerou um custo diferente e um tempo diferente. Isto não significa que o profissional incluirá no seu preço exatamente o equivalente ao que gastou nos seus estudos, mas estes gastos precisam ser levados em consideração.

Outra questão a ser incluída é qual o conhecimento metodológico que o profissional possui. Novamente, como mencionado acima, deve-se analisar como e em quanto tempo ele adquiriu este conhecimento. O profissional que fez um curso universitário tem uma bagagem de conhecimentos diferente daquele que possui certificações internacionais, como as oferecidas pela Universidade de Cambridge, que é diferente daquele que possui os dois tipos de formação.

A experiência na profissão também é um fator a ser colocado na balança na hora de pensar em valores. Um profissional que trabalha há 1 ano tem conhecimentos e experiências diferentes daquele que está no mercado há mais de 20 anos. Por isso, este fator não pode ser deixado de fora.

É relevante também incluir as atividades que o profissional realiza na sua rotina diária. O tempo e a frequência que é preciso para preparar as aulas e atividades, corrigir tarefas e provas, entre outros, precisam entrar na conta final para se definir o valor aplicado.

Por último, é importante pensar o quanto o profissional continua a se aperfeiçoar. Quanto mais ele estuda, lê, se especializa nos vários temas envolvidos ao ensino de idiomas, a forma como isto é feito (por conta própria ou se matriculando em cursos, por exemplo), mais ele sabe. Isto gera gastos e consome tempo, e dependendo de qual novo conhecimento ou habilidade foi adquirido, pode haver uma alteração do valor base empregado. Quando uma situação dessas acontece, cada profissional decide o que considera melhor fazer. Alguns preferem alterar o valor de todos os alunos na virada de um semestre; outros optam por alterar somente o valor dos estudantes que irão contratar o serviço futuramente.

Tendo em mente todos estes itens, e até outros (energia elétrica gasta, investimento em tecnologia para aulas virtuais, tinta e papel caso material precise ser impresso etc), chegamos a um valor de quanto se deve cobrar pelo trabalho. E este valor é individual. Cada um teve experiências e gastos diferentes. Por isso, valores de um profissional comparados a outro nem sempre serão os mesmos.

Desta maneira, criamos um valor justo e completamente justificável para os estudantes/clientes, independente do trabalho realizado (é necessário lembrar que profissionais de ensino de idiomas não trabalham somente com a proficiência do idioma; eles podem também trabalhar com consultorias para empresas etc).

Fazer os cálculos para o valor final do serviço, levando em consideração itens mensuráveis, ajuda a prevenir situações desconfortáveis. Uma delas é quando o futuro estudante/cliente questiona o valor que está sendo cobrado. Muitas vezes, se o profissional consegue justificar como chegou a este valor, o futuro estudante/cliente compreende que não é um valor aleatório, mas plausível e de acordo com o trabalho a ser realizado, interrompendo assim os questionamentos.

Outra situação um tanto complicada que o profissional pode encontrar, é quando ele aplica um valor que não é realmente compatível com aquilo que ele oferece. Por exemplo, um profissional que acabou de começar a ensinar, porém teve uma boa formação tanto em proficiência quanto em metodologia, caso ele inicie sua jornada cobrando um valor muito baixo, sem levar em conta o que seus conhecimentos realmente valem, somente porque tem pouca experiência, terá muita dificuldade em aumentar o preço para o real valor de seu trabalho no momento em que ele perceba que possui múltiplos conhecimentos ou conforme vai ganhando mais experiência. O contrário também pode acontecer. Um profissional que decide cobrar um valor muito alto, vai gerar uma certa expectativa no seu estudante/cliente (muitas vezes as pessoas pensam: se este é o valor cobrado, é porque esta pessoa tem muito conhecimento, anos de experiência etc). Contudo, se esta não for a realidade, o profissional pode começar a perder estudantes/clientes porque seu valor está muito além do seu serviço. No boca-a-boca, ele pode ser considerado "careiro" e até começar a perder novos estudantes/clientes.



A conclusão final é: saiba sobre suas habilidades, seus conhecimentos, o quanto investiu para adquiri-los e se dê o valor que merece. Quando o profissional faz isso, é muito mais fácil para as outras pessoas também o valorizarem.


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