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Dois idiomas podem ser 100% equivalentes?



É muito comum que, ao entrar em contato com um novo idioma, estudantes tenham o desejo de sempre encontrar palavras equivalentes, com exatamente o mesmo significado, seja para se expressar no novo idioma ou para entender algo dito ou lido neste idioma. Contudo, em muitos momentos, esta não é uma situação factível, pois muitas palavras, termos ou expressões, simplesmente não apresentam equivalência em outros idiomas. Nestes casos, é possível entender a ideia, mas não há uma tradução literal para o que foi dito. Isso ocorre porque cada idioma possui suas particularidades, tanto em estruturas quanto em vocabulário. Muitas das formas utilizadas por um povo para se comunicar, tem relação com sua história e costumes locais, o que acaba gerando uma terminologia específica, que tem relação com estes eventos. Se pensarmos no Brasil, existe uma série de expressões que são utilizadas em uma certa região do país, mas não existem em outra. Algumas vezes, existem expressões diferentes, com significado equivalente. Em outras, não existe nenhuma correspondência. Se este tipo de fenômeno ocorre dentro de um mesmo país, que compartilha um mesmo idioma, imagine quando comparamos idiomas diferentes!





O profissional de ensino de idiomas deve estar familiarizado com estas diferenças. Talvez, não seja possível conhecer todas, principalmente em nossa sociedade atual, onde tudo muda muito rápido e a todo momento novas palavras surgem para significar novas ideias. Porém, não podemos deixar que isto funcione como uma desculpa. Pelo contrário, este é um excelente motivo (mais um entre tantos outros) para que nos mantenhamos constantemente informados, aperfeiçoando nosso conhecimento, seja de maneira formal (através de cursos, por exemplo) ou informal (mantendo contato com o idioma através de vídeos, artigos etc).

Recentemente, um amigo entrou em contato comigo via mensagem e me perguntou o que significava em português o termo "work cramp". Eu já havia visto as duas palavras em separado, mas nunca juntas. Pedi para ele mais informações e ele me enviou uma foto de uma planilha de estudos que continha o termo. Pelas outras informações da planilha, mais o significado individual das palavras, entendi que a ideia seria algo aproximado a "fazer o máximo possível de atividades relacionadas ao trabalho, durante um período de tempo pré-determinado". Porém, para meu amigo, isso não foi o suficiente. Ele perguntou se podia traduzir o termo como "trabalho amontoado", ao que eu respondi dizendo que não, pois pensando em português, as ideias eram diferentes. "Trabalho amontoado" é quando alguém tem trabalho acumulado. Pensando neste sentido, não há nenhuma relação entre ter um determinado tempo para fazer o trabalho, nem mesmo está presente a necessidade de fazê-lo.

O caso acima é um exemplo de uma expressão que existe em inglês, utilizada numa situação específica, mas que não encontra equivalência em português, e não é possível simplesmente atribuir palavras do português para tentar criar um termo, pois talvez não exista vocabulário neste idioma que reflita exatamente estas ideias. A questão é que esta situação pode às vezes gerar uma certa frustração para as pessoas que não têm tanto conhecimento do idioma, ou que estão estudando ele, pois é muito mais fácil trocar uma palavra pela outra, de um idioma para o outro, do que ter de pensar em ideias que representam as palavras em questão. Mais um motivo para os profissionais de ensino de idiomas terem uma boa noção do idioma com o qual trabalham e se manterem sempre informados. Mesmo diante de uma situação como a que relatei no parágrafo acima, o fato de saber o significado das palavras individualmente ajudou, diante do contexto apresentado, a apresentar uma ideia que colaborou para o entendimento de meu amigo sobre o que estava sendo falado, mesmo que não haja uma tradução exata para o termo.

Mas o que fazer quando lidamos com estudantes e estes ficam frustrados pelo fato de não terem sempre uma tradução literal das palavras? Podemos guiá-los, até mesmo através de exemplos dentro de nossa própria língua materna, mostrando que esta não é uma situação que ocorre somente de um determinado idioma para o outro, mas que é comum dentro de um mesmo idioma. Fornecendo exemplos do dia-a-dia, o estudante aos poucos entende o que acontece e percebe que este é um evento que foge de seu controle, pois é natural dentro de um povo e o idioma que utilizam para se comunicar. Apresentar elementos culturais que suportem as ideias por trás de certas palavras, bem como, se possível, qual a origem exata de alguns termos, ajuda nossos estudantes a passar por essa situação mais confortavelmente. Afinal de contas, tentar traduzir para alguém que não fale português expressões como "cada um no seu quadrado" ou "quem é você na fila do pão?" não é tarefa simples.


2 comentários


Jean Carlos
Jean Carlos
13 de jan. de 2023

I loved the text.

Reading is quick and very easy to understand, Teacher!

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theenglishteaching6
theenglishteaching6
14 de jan. de 2023
Respondendo a

Thanks a lot, Jean!

I'm glad you liked it.

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